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~ 10.8.12 ~

          Um poeta que não sabia amar. (final)


Tonie ficou a observar o rapaz ali sentado dormindo, sentia-se a vontade porém tinha medo de ser feliz, mais feliz do que já estava sendo no momento. Como só haviam falado sobre coisas do passado ela lembrou que nem teve a oportunidade de perguntar o que o Adam fazia da vida, mas começou a brincar de imaginar e falava sozinha consigo mesma coxixando. 
Pela bolsa universitária marrom que ele trouxe atravessada no ombro e agora estava perto de seus pés, entreaberta que mostrava muitos livros ali dentro escondidos.
- Deve ser um Nerd.
O cabelo meio marrom claro, ou talvez um loiro sujo, cabelo desgrenhado e barba mal feita.
- Não faço ideia, são muitas características diferentes.
No final juntou tudo, cabelo sujo, bolsa marrom, barba mal feita, óculos de grau grande, botina gasta e um jeito de respirar muito pesado.
- Geógrafo!

Ela pensou mais algumas horas ali, não conseguia dormir, pois tinha medo de ele ir embora e não voltar nunca mais, mas ao mesmo tempo planejava coisas horríveis a dize-lo assim que despertasse, pois ela queria ser sozinha. Tonie estava mesmo muito confusa, traçava uma linha tênue entre a felicidade e a solidão, entre o óbvio e o provável. Queria ser feliz sozinha só isso, mas já tinha de fato se apaixonado por Adam, porém não sabia amar, tinha medo de perde-lo por ser boba demais, inexperiente demais pra essas coisas, se bem que ninguém é inexperiente ou experiente pra amar, sei lá de onde ela tirou essas coisas. Só sei que estava inventando desculpas pra adiar a felicidade e o amor mais uma vez.

- Assim que ele acordar, eu direi seca e talvez irônica "olha, não me leve a mau, mas eu não fui mesmo com a sua cara então não venha com esse rosto bonito de recém acordado me dizer bom dia e sorrir pra mim, nem me convide para tomar um café quando descermos daqui." ou algo do tipo "Oh, querido Adam, sabe eu tenho uma doença muito grave e vou morrer daqui uma semana então não gostaria de criar laços com ninguém neste momento, preciso ficar sozinha." 

Planejava coisas mirabolantes para dizer ao rapaz, mas o que na verdade queria dizer era "Adam, você é muito bonito sabia? Dormi aqui ao seu lado e sonhei que a gente era namorado, que coisa..." e neste momento eles iriam rir um pro outro e ela ficaria vermelha, mais do que ele, e ele falaria em um tom meio charmoso "É mesmo?" e ai eles ficariam juntos para sempre e felizes.

Tentando achar alguma forma de dispensar Adam, Tonie acabou cochilando. Sonhou que estava em um lugar estranho e nublado procurando alguma coisa ou pessoa, gritava e corria pra todos os lados mas nunca encontrava nada e nem ninguém.

Tonie acordou, os fones estavam em seus ouvidos, tocava cazuza. O livro de romance estava aberto em seu colo, no seu lado não havia ninguém, parecia estar de tarde.- ficou confusa - Chegou um rapaz e sentou do seu lado, ela se sentiu um pouco incomodada, tirou os fones, fechou o livro e o guardou depois de ler a ultima frase da Pag. 29 "A onde quer que você esteja, eu sempre irei ao teu encontro". 

Tati Lemos 

14 comentários:

  1. Flor, mandei meu e-mail (msn) por mensagem no FB, viu? Lindas palavras como sempre!

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  2. Como sempre seus textos são incriveis!

    Como o da Alice, história da Tonie me supreendeu. Adorei! *-*

    --
    Eu tenho escrito pouco para o blog, estou finalmente trabalhando em meu livro e os posts de crônicas e contos para o Alices estão escassos. =/
    Mas, ainda estou escrevendo! Acho que não vou consegui para nunca!

    Beijo,
    milalices.blogspot.com.br/2012/08/sorteio.html

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  3. uma historia Espetacular, muito bem escrita, rica em detalhes e que nos faz imaginar cada situação descrita, Parabéns Tati.

    e que venham muito mais como essa =D

    um bejo.

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  4. Tati, que que isso? Gosto de ler você porque me leva a um outro nível de pensar... E as vezes meio que confuso. Parabéns pelo texto, pela criação, por isso tudo.

    Lembro que me falou que talvez seria algo que fosse um pouco você, talvez acredite nisso, no sentido de que você é uma pessoa que sonha... E as vezes isso reflete em nós, sonhar e isso tornar real, mas ai que separa você dos seus textos, os texto você que cria e molda o que quer que seja, e as vezes são bastante instigantes pra mim, porque meio que tomam um sentido real da vida, acho que sem fim, sem finais felizes ou triste, e o outro lado é da vida é que ela segue sem a gente saber o que vai da e pra onde vai.

    Gostei muito, como das outras historia.

    Parabéns.

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  5. Lindo final! A sua exatidão em descrever momentos me faz imaginar as cenas. Lindo demais, adorei.

    Beijinhos
    www.hiperbolismos.blogspot.com

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  6. Perdi os outros mas vou procurar pra ver "que historia é essa" que termina linda assim! bjs

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  7. lindo...
    como é dificil viver com medo, ainda mais o medo de amar.

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  8. E como é bom vir aqui e ver tanto talento . Belo final teve o seu texto .

    Um beijo enorme no seu coração !

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  9. fui ver hoje essa historia, e simplesmente vc tem o dom, seguindo de volta (:

    fiquei um tempo sem escrever, mas esta ai o novo http://pedacosdelembrancas.blogspot.com.br/2012/08/espero-sem-saber.html obg desde já *-*

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  10. Olhaaa... um romance transcendental! Surpreendeu este final, hein...li os 4!rs

    Um beijo moça e continue!!!

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  11. - Aaaaah *_*
    Não acredito rs, fiquei esperando que Tonie fosse óbvia, mas ela não é uma menina comum, rs. Novamente a senhorita me surpreendeu, amei seu texto. Este seu conto é maravilhoso e tão encantador *_* São personagens tão diferentes e ao mesmo tempo tão cativantes <3 Vou sentir saudades, rs
    Se bem que a última linha nos deixa com pulga atrás da orelha.
    P.S: Postei o final do meu conto, ele ficou meio grande, mas não queria ficar enrolado os leitores rs.
    Enfim, volta sempre linda! Grandes beijos :)

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  12. Ownn *---* Adorei.
    Às vezes a gente nem se permite ser feliz. :( Espero que ela se permita, de agora em diante. ^^

    :D

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22, leonina, estudante de Recursos Humanos, feminista, louca, exagerada, dramática, maníaca, fantasiosa, apaixonada, delirante, cinéfila, MPB, paz e amor e viciada em café.

 
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